Você lembra da Bienal? Belém já foi a capital internacional da música
22/07/2018 - 8h36 em Música

Era Belém, ano de 2002, na Aldeia Cabana, o consagrado compositor e cantor Chico César, subia ao palco para dividir a sua a voz com uma multidão emocionada e vibrante, que não arredava o pé da programação da II Bienal Internacional de Música de Belém, durante o mês de setembro. O evento reunia músicos de todos os continentes para incentivar o intercâmbio e mostrar a riqueza musical da Amazônia.

A primeira versão aconteceu em 2000, quando foi instituída oficialmente pelo então prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues ( 1997-2004). Em setembro de 2004, acontecia a III e última experiência, tão exitosa quanto as anteriores.

A BIENAL: Durante 10 dias em 27 palcos espalhados pela cidade, com mais de 300 artistas envolvidos, a capital do Pará respirava música. Lá estavam Gilberto Gil, Guinga, Lenine, Chico César, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Sivuca, Hermeto Pascoal, Sebastião Tapajós, Nilson Chaves, Leila Pinheiro, Vital Lima, Lucinha Bastos, Alcyr Guimarães, Pinduca entre outros e entre as muitas atrações internacionais. Os shows eram gratuitos e o “palco-âncora” era a Aldeia Cabana de Cultura Amazônica David Miguel.

O GOLPE: Com a eleição de Duciomar Costa (PTB) à Prefeitura de Belém, em 2004, a Bienal sofreu um duro golpe, sendo excluída do calendário cultural de Belém. Em 2012, com a eleição de Zenaldo Coutinho (PSDB) e atual prefeito, não apenas a Bienal continuou fora do calendário, como também o carnaval e muitas outras manifestações populares passaram a ser relegadas

Uma cidade que pulsava arte, cultura e alegria, vive hoje mergulhada na violência e no abandono. 

INICIATIVAS CULTURAIS: Para o professor doutor Valcir Bispo, da Faculdade de Ciências Econômicas (FACECON) da Universidade Federal do Pará, em seu artigo intitulado: EMPREENDEDORISMO CULTURAL E CRIATIVO: ELUCUBRAÇÕES CRIATIVAS EM MEIO ÀS INCERTEZAS, mesmo com esse desalento geral com as políticas públicas culturais, as iniciativas continuam a se multiplicar em Belém, quase todas de caráter independente ou autônomas.

O povo de Belém que já experimentou tomar para si a alegre missão de resgatar a cultura como manifestação de massa, há de renovar a esperança no futuro.

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