Show de Allan Carvalho e Luiz Girard revive obra de Ary Lobo e Osvaldo de Oliveira
27/02/2018 - 10h33 em Música

Show de Allan Carvalho e Luiz Girard revive obra de Ary Lobo e Osvaldo de Oliveira. O show "Sentinelas do Norte" estreia no próximo dia 09 de março, às 20 horas, Praça do Artista do Centur, na programação da Feira Livre de Arte e Cultura (2018), aberto ao público.

O novo espetáculo musical do artista paraense Allan Carvalho convida o cantor Luis Girard para reviverem a obra de duas sentinelas pioneiras defensoras da musicalidade do Norte: Ary Lobo (1930 - 1980) e Osvaldo Oliveira (1935 - 2010). O show mostra sucessos dos homenageados outrora igualmente entre os nossos maiores representantes no cenário da música popular brasileira, porém, pouco recordados por inúmeros entre nossos contemporâneos. 

O termo sentinela significa guardião da noite, mas no âmbito militar é o soldado armado que guarda o posto de vigia, aliás, uma das tantas condições similares entre os artistas compatrícios homenageados ao iniciarem seus percursos artísticos que deixaram as armas para defender suas perspectivas culturais através da música e ganharam o Brasil.

Ary Lobo

Natural de Belém do Pará e residente do bairro da Pedreira, Ary Lobo foi um soldado corneteiro da aeronáutica que paralelamente se apresentava em programas de calouro na Rádio Clube do Pará. Ele também era integrante do conjunto ‘Namorados Tropicais’ e, após ir para Rio de Janeiro e assinar contrato com a gravadora RCA se tornou um dos maiores compositores de forró da história, com mais de 700 músicas gravadas por ele e outros cantores, músicos e intérpretes representantes do baião, coco, rojões, forró, xaxado, arrastapé, carimbó, maracatú, samba matuto, marzuca entre muitos outros rítimos do Norte e Nodeste brasileiro. Ary Lobo lançou vários sucessos nos anos 50, 60 e 70 em seus nove LPs onde retrata a vida e os costumes das regiões, integrando-as musicalmente em diversas canções, como ‘Cheiro da gasolina’, ‘Vendedor de Caranguejo’, ‘Eu vou pra lua’, ‘Súplica cearense’, ‘Evoluçao’, ‘Menino prodígio’, entre inúmeros outras faixas inesquecíveis.

Vavá da Matinha

Por sua vez, a simples menção do nome ‘Osvaldo Oliveira’ também parece não mais representar tanto na lembrança de muitos, porém, ao mencionar-se o codinome ‘Vavá da Matinha’ com o qual o telegrafista da aeronáutica ficou popular por aqui, rapidamente algo de musicalmente bom vem à memória. É a demonstração de que o apelido carinhosamente popular é bem mais resistente entre seus entes queridos, além de revelar uma vocação à eternidade, justamente ao trazer consigo a carreira de um dos maiores artistas brasileiros de seu tempo. Seus fãs conterrâneos o apelidaram de “Vavá” e completaram o apelido com a procedência do antigo do bairro da Matinha (atual bairro de Fátima) em Belém, onde nasceu e cresceu. Osvaldo Oliveira também foi um dos calouros mais esperados nos programas de rádio de Belém no final dos anos 50. O sucesso de Vavá logo ganharia o país nas décadas seguintes. Ao também dar baixa na farda e ir para a capital federal na virada para os anos 60, viu sua musicalidade paraense triunfar nacionalmente conferindo-lhe o status de um dos seus maiores cantores e compositores ao integrar o elenco de ouro na CBS somando em quase 40 anos de carreira artística mais 60 álbuns entre compactos,  lps e cds. Nos anos 60 e 70. Osvaldo Oliveira tornou-se igualmente um dos maiores representantes da música do Norte/Nordeste brasileiro e entre tantos sucessos como ‘Só Castigo’, ‘A deusa do mercado São José’, ‘ Telegrafistas do Brasil’, ‘Este ano eu irei a Belém’, criou um samba paraense, foi o primeiro cantor no Brasil a gravar o merengue com letra, tornou-se um dos maiores forrozeiros brasileiros na época, além de abrir as portas para gêneros como o bolero e baladas românticas épicas que o fizeram até desbancar em 1972 o rei Roberto Carlos na venda discos, conferindo-lhe ainda o status de o maior precursor do brega.

 Allan Carvalho e Luiz Girard 

Diante de tamanha importância para a música popular brasileira, embora um tanto quanto esquecidos pelas gerações atuais, a obra de Ary Lobo e Osvaldo Oliveira sobrevive e aí está para ser cultuada. Allan Carvalho, um dos artistas mais promissores da música regional, é admirador e pesquisa há décadas a vida e obra de Ary Lobo, além de reconhece-lo como um de seus elos inspiradores mais preciosos. Por seu lado, Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha vem sido relembrado no projeto ‘Gafieira do Vavá - no tempo de Osvaldo Oliveira’, um tributo bem sucedido do cantor e compositor Luis Girard, uma de nossas maiores expressões performáticas da nossa música regional. Assim, esta nova iniciativa especial põe os artistas envolvidos como sentinelas da nossa diversidade musical carente de reinserção e do deleite público.

O show vai estrear no próximo dia 09 de março, às 20 horas na Praça do Artista do CENTUR, compondo a programação da Feira Livre de Arte e Cultura (2018), aberto ao público.

Sentinelas do Norte. A música de Ary Lobo e Vavá da Matinha

Elenco:

- Allan Carvalho interpreta Ary Lobo

- Luis Girard interpreta Vavá da Matinha 

- Manassés Malcher – Trombone

- Felipe Ricardo – Saxofone

- Dom Edy – Trompete

- Diego Xavier – Cavaquinho

- Taylan Pereira – Baixo

- Caio Pereira – Bateria

- Nazaco – Percussão

- Márcio Jardim – Percussão

* com informações da assessoria
Foto: divulgação

 

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